ENTREVISTA_ Juliana Kosso e a estrada com a banda das Velhas Virgens A vocalista falou dos quase nove anos com a maior banda independente do Brasil, e também sobre as dificuldades da estrada, calotes e que ainda sente um friozinho na barriga antes de um show importante

Juliana Kosso. Foto: Ale Frata

Entrevista e fotos por Ale Frata

JULIANA KOSSO_ A mulher de cabelos vermelhos, voz afinada e muita presença de palco, que há quase nove anos divide os vocais da Velhas Virgens com ninguém menos que Paulão de Carvalho, conversou com o Marofa Music, para contar um pouco de sua trajetória nos palcos da vida, onde vive desde seus 14 anos.

Juliana Kosso © Ale Frata
© Ale Frata

Tudo começou após ter sido aprovada nos testes para participar do grupo A Patotinha, no disco Dance com A Patotinha, lançado em LP pela gravadora RGE em 1995. A apresentadora Eliana, também fez parte do grupo, em outra época. A experiência seguinte, veio com a bada Coyote, em 1997, onde gravou três CDs com trabalhos autorais, e após Paulão de Carvalho participar de um de seus discos, ela foi convidada para fazer sub para Lili, ex-vocalista da Velhas Virgens que estava de saída, até que chegou a ser efetivada como a vocalista oficial da banda. Também foi vocalista da banda Estranhos no Paraíso, uma parceria com o guitarrista da Velhas, Alexandre Cavalo e com Paulo Anhaia, produtor do DVD “30 anos de Velhas Virgens” além de álbuns, como o debut “Vocês não sabem como é bom aqui dentro” de 1994.

Influenciada pelos irmãos mais velhos, que curtiam bandas como AC/DC e Led Zeppelin, Ju Kosso seguiu a estrada com trabalho solo, e hoje, além da Velhas Virgens, canta na Juliana Kosso Rock Band, onde coloca esses clássicos para fora e também no trabalho mais intimista, onde se apresenta acompanhada apenas por um violão.

O lado triste dessa estrada, aconteceu quando tomou calote de um empresário mal intencionado, e com isso não conseguiu lançar o trabalho que estava pronto para sair do forno. Ju também relembra a época que na sua casa não tinha rádio para escutar música e não sobrava grana para estudar canto. “Eu nunca tive vida de princesa”, ela afirma.

O momento agora é de aguardar o tão esperado lançamento do DVD, que foi gravado em início de outubro na Love Story, Centro de São Paulo e saber o que vai acontecer com a banda das Velhas Virgens, caso se concretize a provável saída, ou parada temporária, de Paulão de Carvalho.

Ao final da entrevista, links para ouvir o trabalho no Souncloud e para as redes sociais.

Divirtam-se!

ENTREVISTA

Dance com A Patotinha, 1994
Dance com A Patotinha, 1994

Fale um pouco da sua carreira na música, desde A Patotinha até chegar na Velhas Virgens.
A música veio pra minha vida sem querer querendo, eu não estava preparada, as coisas foram acontecendo naturalmente pra mim. Fui criada pela minha mãe, não tinha condição financeira pra nada, eram muito difíceis as coisas dentro da minha casa , nem rádio eu tinha pra ouvir uma música! Com 13 anos eu comecei a trabalhar em loja de roupas , depois de um tempo fiquei sabendo de um teste pra um grupo infantil que era A Patotinha, fui fazendo os testes e eliminando outras garotas e acabei entrando no grupo onde gravei pela RGE e fiz participações em rádios e TVs. Apesar de ser autodidata, fui me interessando pela arte da música profundamente, fazia esporadicamente aulas de canto lírico, depois de canto popular, depois de R&B e de lá pra cá , fui fazendo barzinhos na noite, criei uma banda e foi crescendo meu nome na região de Jundiaí. Com tudo isso peguei muita estrada, muito palco, conheci muita gente desonesta, levei muito não, ganhei prêmios, fiz muitos shows em palcos grandes, ganhei fãs, fui roubada e enganada muitas vezes, toquei de graça também. Nesse meio tempo, comecei a dar aulas de canto popular em escolas de música e enfim, abri alguns shows pras Velhas na época da Claudia e na época da Lili, mas nunca imaginava em estar no mesmo papel. Gravei três discos autorais, e num deles o Paulo de Carvalho fez uma participação especial numa música minha que se chama PQP. Não consegui lançar esse trabalho, pois fui lesada por um empresário mal caráter na época. E assim, pós meu CD pronto, levei pro Paulão e um tempo depois ele me pediu pra fazer três shows pro Velhas , aceitei. E fui fazendo sub pra Lili, pois ela estava pra sair da banda e veio o convite oficial. E estoy aqui até hoje. Minha entrada foi um convite do Paulão. A culpa é apenas dele!!! Rs…

E sobre a experiência de gravar o DVD ao vivo na Love Story? Teve aquele friozinho na barriga, ou a estrada acabou com esse negócio que a maioria dos músicos sente quando antecede um show importante?
Esse é meu terceiro DVD com a Velhas. Sim, tenho friozinho na barriga, ansiedades, desespero e apagão. Não consigo nem dormir. Pronto, falei! Como eu tava com earphone não dava pra ouvir a dimensão do volume do público no show, a gente escuta só o vazamento, e DVD a gente tenta se preocupar com um monte de coisas. Minha preocupação maior é se eu cantei bem.

Na sua carreira solo, você tem um show acústico e um plugado, com apoio de um power-trio. O set list tem composições próprias ou apenas covers? Pretende lançar um disco solo?
No meu trabalho solo plugado eu me apresento acompanhada por um power-trio da pesada e assim a gente faz os clássicos de rock de bandas com AC/DC, Led Zeppelin, Beatles, Kiss, que influenciaram bastante na minha formação musical, são músicas que fizeram parte da minha vida. O show acústico é bem intimista, voz e violão. Eu acho que nós artistas temos que estar sempre no palco fazendo as coisas e não em casa vendo TV , eu acredito nas mais variadas formas de apresentar um trabalho ligando o público seja como for, e onde for. Não apresento nada de trabalho próprio por enquanto. Mas desejo ter e apresentar em coisas distintas dessas que já faço. Quero fazer um disco autoral sim, pra isso precisa de grana pra gravar e realizar o projeto em real, mas isso é luxo pra rockeiros da noite né? Sem apoio e sem patrocinio fica muito dificil fazer algo sozinha, praticamente, impossível.

Eu acompanho a Velhas desde 1995, época do lançamento do disco “Foi bom pra você?” e a vocalista era a Cláudia Lino, depois dela, veio a Roberta e posteriormente a Lili. Pelo visto, a vocalista que ficou mais tempo com a banda foi você, que agora em breve completará nove anos. Como foi o processo de entrada na Velhas. O trabalho delas foi passado como referência, ou você teve total liberdade para trabalhar e criar sua personagem?
Nunca peguei referências de nenhuma delas, mesmo porque cada uma deu vida às personagens e cada uma é de um jeito. Tenho total liberdade dentro da banda e isso é maravilhoso pra quem faz arte, principalmente quem tá no rock. Sem mentiras , sem máscaras ou qualquer coisa plástica. É Visceral!

Quem desenha seus figurinos?
Ju Vechi desenha , eu tb dou até uns palpites….rs A gente se entende, ela me conhece bem.

Ju Kosso e Paulão de Carvalho © Ale Frata
Ju Kosso e Paulão de Carvalho © Ale Frata

E o relacionamento com os caras da Velhas? No camarim da Love Story a sensação era de que a sinergia que vocês têm no palco vai além dele, como se fosse uma família. É assim mesmo ou fora da estrada é cada um na sua, como em qualquer trabalho?
Eu considero como minha segunda família, eu tenho admiração por cada um ali, me dou bem com todos. Na alegria e na tristeza, estamos juntos, e juntos seremos fortes.

Inevitável perguntar sobre o assédio dos fãs. Alguma vez passaram dos limites com você, confundindo a personagem que você interpreta ou até mesmo confundindo o show com a realidade? Como você lida com isso?

De 10, sempre tem um ou dois. Mas é bem raro a cara de pau, eu não ligo pra isso. Dependendo da abordagem eu tenho pena, observo e fico pensando como falta discernimento pra uns. Mas a maioria são pessoas sensacionais , fãs são diferentes dos “curiosos”. Em geral, respeito vem de berço, eu trato de igual pra igual.

É notável uma mudança de comportamento na personagem feminina da Velhas Virgens, de uns tempos para cá. No show da Love Story, você mandou alguns recados durante a apresentação, seria algo contra o machismo, a favor do feminismo ou nenhuma das opções? Aproveitando o gancho, você sente que ainda hoje a Velhas Virgens sofre algum tipo de retaliação da mídia, por conta das letras que “pregam” a putaria e a sacanagem, ou depois de 30 anos na estrada isso não existe mais?
Sobre o lance de machismo dito eu não vejo a banda como machista. Eu vejo como uma banda que tem liberdade de expressão. Eu acredito na força da mulher, e sim, ela pode fazer o que bem entender com seu corpo, sem ser julgada pelas suas vontades. Por exemplo, a música BU.CE.TA. é uma forma de conotação que fica diferenciada quando é expressado por um homem ou uma mulher, então o resultado é de liberdade de expressão em arte e música. Podemos ser livres nas abordagens e nos temas que falamos, pois somos uma banda pra diversão, pra diminuir o estresse da galera, deixar as coisas mais suaves, junto com a sacanagem, e isso envolve meninos e meninas numa cabeça mais aberta pra receber informações sem mi mi mi, e não é para as pessoas sairem ofendidas, e sim dizer fui num show de rock e me diverti pra caralho, falei palavrão, bebi, peguei alguém, dei risada, bati cabeça, me acabei. Ser livre pra tudo não têm preço, principalmente pro pensamento. E hoje em dia todo mundo têm opiniões expostas em mídias sociais e por isso gera tantas adversidades, pois somos diferentes um do outro. E a palavra machista, feminista é algo muito amplo. Eu sou mulher, e sim, estou numa banda de rock e isso gera polêmica, e uma banda de rock onde as abordagens são mais polêmicas. Sim, sou mulher e falo um monte de palavrão!!! Sim, sou mulher, vocalista da banda das Velhas Virgens e canto uma música que se chama BU.CE.TA., e eu bebo pq eu gosto. Vai me colocar dedos na cara por isso? Essa visão já é preconceituosa por eu ser mulher. Quanto preconceito eu tenho que carregar, sendo essa mulher que sou e que vivo?? É por isso que eu vejo que a mulher não é o sexo frágil e sim uma solidez íncrível com suas mais variadas loucuras. É muito encantador! Vivemos num país hipócrita e esse negócio do politicamente correto é algo que logo logo, se você sorrir, vai ofender aquele que não tem os dentes. É aquela coisa, “quem não tem teto de vidro que atire a primeira pedra”, então, estamos aí, nossa discografia está aí, nossa história também, estamos expostos à isso e não somos corretos graças à Deus! Se o trabalho da banda fosse machista, não ia nem ter mulher ali.
 As pessoas que pensam isso, desconhecem a discografia da banda ao todo, não se fala apenas de um assunto, fala-se de politica, religião, pessoas em geral e bebida também.

Recentemente o Paulão falou em seu perfil do Facebook que iria parar após essa turnê, mas no mesmo post ele respondeu a um fã, dizendo que não seria nada definitivo, apenas um descanso para mudar de ares. O que você pode nos contar sobre isso (e o que não pode, também)? A banda continua sem ele?
Posso falar o que eu sei , na verdade, o que nós sabemos. Em muitas outras entrevistas, ele apenas diz que vai dar um tempo, e realmente não sabemos o que está pensando, então, não está muito claro nem pra nós, isso. Se ele mudar de ideia, ótimo para todos nós, equipe e público, mas
 esse tempo vai existir. Que seja apenas um “descanso”, torço muito pra isso. Espero que ele fique bem desesperado e com muita sede pra voltar aos palcos, mas até lá, vamos aproveitando o tempo necessário com ele, e se a banda continuar sem, eu espero que ele volte, pois o lugar sempre será dele e estará ali.

Deixe um recado pra galera do Marofa Music.
Marofa Music
, desejo que continuem com o trabalho pra matar a curiosidade dos malucos de plantão, agradeço a oportunidade pras pessoas me conhecerem mais um pouco. Muito boa sorte e let´s rock!

PINGUE PONGUE

Banda Gringa_ Alabama Shakes

Banda Nacional_ Ultraje À Rigor

Palco_ Minha casa!

Show_ Minha realização!

Música da Velhas_ Senhor Sucesso

Instrumento_ Voz

Disco_ MTV Unplugged: Korn

Bebida_ Margaritta

Comida_ Mexicana

Sonho_ Uma casa própria

O que não pode faltar_ Saúde

 

Links
Soundcloud
Facebook
Twitter
Instagram

 

About Ale Frata 50 Articles

Fotógrafo, publicitário e editor do Marofa Music. Ex-baterista do 1853, para não ficar longe dos palcos, hoje fotografa shows e espetáculos, além de futebol e outros segmentos. Dentre os estilos musicais, o predileto é rock n’ roll, sem rótulos. Tattoo pra acompanhar.

Be the first to comment

Leave a Reply

Seu e-mail não será publicado.