EXPO_ German Lorca apresenta a Exposição Fotográfica “Arte Ofício/Artifício”, no Sesc Bom Retiro O fotógrafo veterano, quase centenário, apresenta pela primeira vez o seu trabalho em cores, com entrada gratuita, até 26 de fevereiro

Pipas, 2000. Foto: German Lorca

GERMAN LORCA_ Entre 27 de outubro de 2016 e 26 de fevereiro de 2017, o Sesc Bom Retiro realizará a exposição fotográfica Arte Ofício/Artifício, de German Lorca, com curadoria de Eder Chiodetto, no Espaço Expositivo, 2º andar. O projeto, primeiro em que o artista irá exibir fotos coloridas, compreenderá um apanhado com seus trabalhos desde o início de sua carreira, quando ingressou no Cine Fotoclube Bandeirante na década de 1940, passando por suas colaborações com reportagens, publicidade e produções autorais. O fotógrafo hoje, aos 94 anos, colabora e influencia ativamente com apuro técnico e estético para a fotografia no Brasil.

Arte Ofício/Artifício reafirma o fato de que Lorca sempre teve a fotografia como profissão, e que através de suas experimentações, usou diferentes técnicas para a criação de imagens como a solarização, jogos de luz e sombras e contraposições de positivos e negativos.

Levitação na piscina, 2000. Foto: German Lorca
Levitação na piscina, 2000. Foto: German Lorca

A mostra contará com aproximadamente 60 fotos dispostas em três núcleos, que colocarão o fotógrafo diante do público, em suas múltiplas atrações nos campos da fotografia experimental, publicitária e em cores. Algumas das imagens apresentadas serão inéditas, reafirmando a pluralidade deste ícone da fotografia brasileira e um dos responsáveis pela sua renovação.

Toda inventividade na pesquisa artística de Lorca irá compor o núcleo experimental da mostra. Ela demarcará um período na vida do artista que, influenciado por Geraldo de Barros, aventurou-se pelo livre universo das fotoformas. Entre as fotos expostas estarão Menino Correndo (1960), com uma dupla exposição em um mesmo negativo; Fumante (1954), em que foi utilizado o processo de solarização (breve exposição do papel fotográfico impresso a luz que cria uma foto surrealista), e Positivo Negativo (1954), em que foi utilizada a técnica da exploração do preto e branco com a inversão negativo-positivo. Nesse mesmo período, German Lorca documentou a inauguração da Catedral da Sé e foi convidado como fotógrafo oficial da comemoração do IV Centenário de São Paulo.

Outro nicho da exposição é o de imagens publicitárias. Percebendo o início da demanda por fotos comerciais no Brasil, durante as décadas de 1940 e 1950, o artista iniciou a produção de campanhas publicitárias, inaugurando estúdio próprio, o que ampliou seu processo de criação que passou a ter fotografias técnicas, industriais, comerciais e jornalísticas. Em Pernas (1960), fotografia feita para o anúncio de meias feministas, Lorca inspirou-se no surrealismo, contrapondo as pernas femininas com as de uma mesa. Já em Moda (1970), as extintas lojas Mappin utilizaria como encarte publicitário, fotografia que explorava o desfoque e o auto-contraste, recursos ousados para a época. Outra imagem famosa é a campanha feita para a indústria de louças, em Pratos (1970), o artista usou flashs eletrônicos e uma pilha de pratos de plástico, como se tivessem indo para o chão, como recursos criativos para conseguir uma imagem que representasse uma torre feita de pratos caindo no chão.

Nova Iorque, 1992. Foto: German Lorca
Nova Iorque, 1992. Foto: German Lorca

Com o avanço das agências publicitárias no Brasil, foi crescente a pressão para se produzir fotos em cores, presentes no terceiro núcleo da mostra. Naquela década, não havia a estrutura de modelos, diretores de arte, ou qualquer recurso utilizado atualmente. Na década de 1970, com a cor incorporada em seu trabalho, Lorca começou a desenvolver pesquisas para fotos coloridas, com a mesma versatilidade com que produzia em preto e branco. Sobreposições, alteração de contrastes ou até mesmo fotografias diretas que nos remetem a jogos cromáticos, ao surrealismo perpassam toda a carreira do fotógrafo, artista, repórter e publicitário.

As imagens reunidas nesta exposição confirmam a latência do trabalho de Lorca e a astúcia do seu olhar em capturar cenas banais de um cotidiano real que nos causam estranhamento ao mesmo passo que nos extasiam. Em suas fotografias, o artista retrata a desconstrução não apenas da imagem, mas de uma sociedade que se formava a partir de seus fragmentos. A vida que seguia em expansão, em uma São Paulo que desejava reinvenção na avidez do modernismo.

Vitrine, 2001. Foto: German Lorca
Vitrine, 2001. Foto: German Lorca

Sobre German Lorca

O artista nasceu em São Paulo, no ano de 1922, década que foi libertária em vários campos do conhecimento, em um momento em que o estado das coisas impactou profundamente o comportamento da humanidade e as artes em geral. Uma época que promoveu as mudanças mais estruturais na forma de se praticar e pensar a arte.

Lorca formou-se em Ciências Contábeis pelo Liceu Acadêmico, mas quando decidiu deixar a contabilidade, seus pais não puderam acreditar que ele deixaria a segurança de um emprego por uma nova paixão, a fotografia. Ao adotar uma profissão incomum no final da década de 1940, ele conseguiu se tornar uma referência em fotos artísticas e publicitárias. Sua infância no bairro do Brás do começo do século XX influenciou a formação de seu olhar e o ajudou a cultivar um dos maiores acervos particulares de fotos da capital paulistana.

Em 1949, participou do Foto Cine Clube Bandeirante (FCCB), associação de fotógrafos que introduziram novas tendências na fotografia, como José Yalenti (1895-1967), Thomaz Farkas (1924-2011) e Geraldo de Barros (1923-1998). Registrou a paisagem da cidade de São Paulo, em especial os locais da região central, como a Praça da Sé. Abriu estúdio próprio em 1952. Em 1954, foi o fotógrafo oficial das comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo, com fotos que ficaram conhecidas por capturarem ângulos inusitados de políticos e personalidades da época, como Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Orlando Villas-Boas. A partir dessa data, Lorca dedicou-se com exclusividade à fotografia, atuando principalmente em fotografias técnicas e publicitárias, atendendo a demanda de um mercado em expansão nas décadas que se seguiriam, mas sem abandonar a fotografia autoral e a documentação da cidade, temas recorrentes em sua produção.

Serviço:

Exposição Fotográfica Arte Ofício/Artifício

Abertura: dia 27/10, quinta, às 19h.

De 27/10 a 26/2. De terça a sexta, das 9h às 20h; sábados, das 10h às 18h, domingos e feriados, das 10h às 17h. Livre. Grátis. Espaço de Exposições -2º andar.

Local: Sesc Bom Retiro – Alameda Nothmann, 185 – Bom Retiro, São Paulo

Al. Nothmann,185 – Campos Elíseos.

Acessibilidade: Entrada com acesso para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.
Estacionamento próprio. Valores: Com apresentação de Credencial Plena – R$ 4,50 até uma hora; R$ 1,50 adicional por hora.
Não credenciados – R$ 10,00 até uma hora; R$ 2,50 adicional por hora. Tel: 3332 3600.
Horário de funcionamento da unidade: de terça a sexta, das 9h às 21h; sábados das 10h às 21h; domingos e feriados, das 10h às18h.

Mais informações pelo telefone 3332-3600; pelo portal www.sescsp.org.br

Fonte: Assessoria Sesc Bom Retiro

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