ENTREVISTA_ A cantora Camila Garófalo contou como é ser mulher num espaço que tem que ser conquistado a cada dia Cantora, compositora e produtora que acabou de produzir o Festival SÊLA conversou com o Marofa Music em um bate papo exclusivo

Camila Garófalo, durante o festival SÊLA. Foto: Ale Frata / Marofa Music

CAMILA GARÓFALO_ Dona de uma voz poderosa, que mistura um pouco de rock com MPB, essa paulista de 27 anos está a caminho de lançar o segundo trabalho autoral em 2018, e acaba de produzir o Festival SÊLA, idealizado por ela, focado na união feminina na música, que levou algo em torno de 1800 pessoas ao Centro Cultural São Paulo no início de fevereiro durante os três dias de apresentações.

Em 2016 ela lançou o clipe da música “Camarim”, uma produção bem enxuta, financeiramente falando, feita na base da parceria com cantoras independentes, com o grande objetivo de mostrar a união e não a competição. O clipe teve mais de 100 mil vizualizações no YouTube e pode ser conferido logo abaixo. Aqui para nós, ela falou até de futebol.

Confira a entrevista exclusiva de Camila Garófalo para o Marofa Music e divirta-se!

Camila Garófalo, durante o festival SÊLA. Foto: Ale Frata / Marofa Music

Apresente a Camila Garófalo para nossos leitores

• Camila Garófalo tem várias personalidades. É artista mas também é produtora. É cantora mas também se envolve com assessoria de imprensa. Seu melhor momento é quando está com o lápis e o papel na mão. No fundo, é mais compositora.

Como e quando começou sua carreira de cantora?

• Sempre quis ser cantora. Insisti pra minha mãe me colocar na aula de flauta, violão e canto. Demorei para convencê-la. Eu morava no interior e não sabia que seria possível me profissionalizar como artista. Quando mudei para São Paulo para fazer faculdade de comunicação dei de cara com o meio independente. Aos 17 anos cantei numa banda de rock. Aos 20 anos comecei a produzir meu primeiro disco e cá estou, com 27 anos, disposta a continuar sendo o que me tornei.

Cite alguns artistas brasileiros e estrangeiros que despertaram seu interesse pela música e os que mais influenciaram em seu trabalho autoral.

• Diversas cantoras brasileiras foram definitivas para despertar meu interesse e meu empoderamento na música brasileira e internacional. Sempre acompanhei Karina Buhr, CéU, Tulipa Ruiz, Tiê, Patti Smith, Bjork e muitas outras que me inspiraram tanto.

O espaço da mulher na música é sempre questionado, mas temos uma lista imensa de mulheres que aparecem a cada dia, seja como musicista parte de uma banda ou solo, tanto no Brasil como nos EUA e Inglaterra . Qual a maior dificuldade para a mulher quando o assunto é palco?

• Ser sexualizada a todo momento. Há sim cantoras, mas a todas cabem o papel de diva. Não somos lindas. Somos fortes, capazes e talentosas. Já diria Karina Buhr: “Hoje eu não quero falar de beleza, ouvir você me chamar de ‘princesa’, eu sou um monstro”. Há outras lugares que precisam ser preenchidos por nós, na mesa de som, por exemplo, na iluminação, produção musical e por aí vai…

No início de fevereiro, o Festival SÊLA, idealizado por você e com uma produção formada por mulheres foi sucesso absoluto de público. Conte sobre sua primeira experiência na produção de um evento com toda essa repercussão.

• Eu acreditei nesse projeto. E encontrei mulheres que acreditassem também. Acho que esse é o verdadeiro motivo por ter tomado a proporção que tomou. Havia uma demanda a ser cumprida no mercado e nós estávamos dispostas a dar o nosso melhor. Queremos mais mulheres no palco, queremos uma programação plural, em que nenhuma vertente que diz respeito à mulher deixe de ser contemplada. Esse é um ideal e queremos contribuir para nos aproximar dele cada vez mais. O sucesso da SÊLA refletiu que juntas podemos fazer mais e ir além. Sim, as mulheres são capazes de fazer um festival inteiro sozinhas.

SAO PAULO, SP 04.02.2017: FESTIVAL SÊLA-SP – Camila Garófalo no Centro Cultural São Paulo. (Foto: Ale Frata/Marofa Music)

O espaço da mulher ainda tem muitas limitações em diversos setores além da música, como por exemplo no empresarial, onde todos sabem que no mesmo cargo homem e mulher tem os salários diferentes. Você percebe alguma evolução nesse setor?

• Estamos em constante evolução. Mas ainda falta muito. Não só pelos salários (que ainda não se igualaram) mas também por sermos subestimadas todo santo dia. É visível que toda mulher tem que provar tudo o tempo todo. Chega a ser irritante. Ainda há muitas conquistas que nos pertencem e tenho certeza que vamos alcançá-las, uma por uma.

E no futebol, a FIFA tem um artigo que obriga as confederações a tomar medidas que prevêem a igualdade de gêneros, tanto que a Conmebol, entidade responsável por campeonatos como a Libertadores, que a partir de 2019 traz a obrigação que os times participantes tenham time feminino nas competições. Qual sua opinião sobre isso?

• Eu acho é pouco (risos). Essa medidas são imprescindíveis para que avanços continuem acontecendo. Principalmente no futebol, um dos maiores redutos do machismo da história. Essas ações são necessárias pois funcionam como reguladores de direitos. A lei é a máxima que nos legitima como cidadãs dignas dos mesmos direitos que os homens. Precisamos ser amparadas por elas.

Voltando aos palcos, em outubro de 2016 você lançou o clipe da música Camarim, que hoje tem mais de 100 mil vizualizações no YouTube. Gostaria que você falasse um pouco dessa produção que pareceu ser algo bem simples e eficiente

• Filmamos tudo pelo celular, é verdade. Encontramos uma solução para o baixo orçamento e nos caiu muito bem. Os Irmãos Guerra que dirigiram o filme me ajudaram muito a construir o argumento de “Camarim”. Foi o momento perfeito para reunir cantoras amigas do meio independente e construir, juntas, o discurso de que não somos competidoras, pelo contrário, jogamos no mesmo time.

Você lançou o disco “Sombras e Sobras”em 2014. Como foi a repercussão desse trabalho? Você já está preparando novo trabalho? Qual a previsão para o lançamento?

• Faz quase 3 anos que lancei meu primeiro disco e quase me sinto pronta para o segundo. Quase. Foi incrível esse tempo de estrada e experiência, mas agora me preparo para uma nova fase, em que preciso me reconhecer novamente para entrar numa nova vibração. Pretendo lançar esse segundo trabalho em 2018 e posso dizer que, após quase quatro anos, vai ser completamente diferente do primeiro.

Deixe um recado pro Marofa Music

• Muita marofa pra todos, galera! Beijos da Marófalo, quer dizer, Garófalo (risos).

 

PINGUE PONGUE

Banda Gringa HAIM

Banda Nacional Moxine

Palco Karina Buhr

Show Arco e Flecha – Iara Rennó

Música “A Fila” – Sandyalê

Instrumento Violão

Disco Luiza Lian – Luiza Lian

Bebida Chá Gelado

Comida Árabe, Japonesa, Mexicana, Indiana, Brasileira (não necessariamente nessa ordem)

Sonho Ser famosa (hahaha, é serio)

O que não pode faltar Sororidade

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Fotos e entrevista por Ale Frata

About Ale Frata 50 Articles

Fotógrafo, publicitário e editor do Marofa Music. Ex-baterista do 1853, para não ficar longe dos palcos, hoje fotografa shows e espetáculos, além de futebol e outros segmentos. Dentre os estilos musicais, o predileto é rock n’ roll, sem rótulos. Tattoo pra acompanhar.

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